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06/10/2011 -
Bolha, s?? se for de equ??vocos

Desde o in??cio do ano temos presenciado alertas quanto aos riscos de estouro de uma poss??vel bolha cr??dito no Brasil. O crescimento acelerado do cr??dito no pa??s, o alto comprometimento de renda do brasileiro com pagamento de d??vidas e a escalada dos pre??os dos im??veis nos principais centros urbanos costumam ser elencados como sinais da exist??ncia desta bolha em terras brasileiras. Assim, mais cedo ou mais tarde, sucumbir??amos a uma crise tal qual vem ocorrendo no hemisf??rio norte.
 Em primeiro lugar, o termo "bolha" n??o ??, a rigor, adequado ao mercado de cr??dito pois, tecnicamente, "bolha" representa o descolamento significativo e prolongado do pre??o de algum ativo financeiro ou real dos seus fundamentos. Mas, como bolhas especulativas costumam ser precedidas por booms   de cr??dito, acaba-se utilizando, alternativamente e com certa liberalidade, o termo "bolha".
 Esta associa????o entre boom   de cr??dito e bolha especulativa foi justamente o que ocorreu com os EUA e com v??rios pa??ses da Europa Ocidental: um longo per??odo de cr??dito farto gerando movimentos especulativos nos pre??os das resid??ncias. Mas, para que esta "tempestade perfeita" possa acontecer ?? preciso um combust??vel fundamental: a preval??ncia, por um tempo bastante razo??vel, de taxas reais de juros pr??ximas de zero, ou at?? mesmo negativas. E ?? aqui onde come??am as diferen??as entre a situa????o do mercado de cr??dito brasileiro daquilo que ocorreu no exterior. Nossa taxa real de juros ?? uma das mais altas do planeta! Isto faz com que os bancos brasileiros n??o precisem, para se rentabilizar, aventurarem-se por mercados de alt??ssimo risco, tal como ocorreu nos EUA e em alguns pa??ses europeus.
 Outra grande diferen??a: no Brasil os bancos possuem baixa alavancagem e operam num ambiente regulat??rio e fiscalizat??rio que ?? benchmark   mundial. L?? fora, os empr??stimos de alto risco evolu??ram em um impressionante v??cuo do ponto de vista regulat??rio e fiscalizat??rio, disseminando o risco atrav??s de opera????es cruzadas com derivativos ex??ticos. Assim, a expans??o do cr??dito no Brasil vem ocorrendo sob rigoroso monitoramento por parte da Autoridade Monet??ria, que n??o se furta em adotar medidas macroprudenciais para coibir certos excessos.
 H?? quem diga que o mercado de ve??culos, fortemente influenciado pela expans??o do cr??dito ao longo dos ??ltimos anos, seria o subprime   brasileiro. Outros enxergam na valoriza????o dos pre??os dos im??veis a presen??a de uma bolha imobili??ria no Brasil. N??o ?? a vis??o que compartilhamos. No caso dos ve??culos, ?? fato que o pre??o de um zero km pode recuar pouco mais de 20% ap??s o seu primeiro ano de uso, fragilizando a garantia do financiamento. Mas ?? por isso mesmo que, normalmente, se exige do comprador uma entrada mais ou menos equivalente, no ato do financiamento.
 Quanto aos im??veis, as altas observadas de pouco mais de 100% em algumas regi??es metropolitanas no pa??s, ao longo dos ??ltimos tr??s anos, refletem o forte crescimento da demanda - induzida pelo elevado grau de confian??a dos consumidores, pela ascens??o das classes C e D, pelos impactos das novas regras introduzidas a partir de 2005, nos financiamentos imobili??rios, pelo programa "Minha casa, minha vida" - e que n??o tiveram a devida resposta, no tempo e na mesma intensidade, da oferta. Afinal, o setor imobili??rio passou por quase vinte anos de letargia caracterizado por baixo investimento em m??o de obra, em produ????o de insumos e em bancos de terrenos. Quando a demanda aflorou, a oferta n??o conseguiu evoluir no mesmo ritmo e, por conta disso, os pre??os subiram. Logo, s??o os fundamentos - e n??o bolha - que explicam a alta dos pre??os das resid??ncias. Al??m disso, no caso dos im??veis, a maioria esmagadora s??o compradores finais e, no Brasil, o refinanciamento de hipotecas praticamente n??o existe.
 Uma ??ltima considera????o: a inadimpl??ncia dos consumidores est?? crescendo pouco mais de 20% neste ano. Algu??m poderia citar este fato como mais um sinal de bolha. Por??m, se h?? bolha de cr??dito, a inadimpl??ncia sobe depois e n??o antes do seu estouro. Na verdade, a alta da inadimpl??ncia em 2011 foi devida ?? acelera????o da infla????o no in??cio do ano e n??o ao eventual estouro de bolha. Ali??s, nossos indicadores antecedentes j?? apontam para uma estabiliza????o da inadimpl??ncia ainda neste ano.
 Em suma, n??o vislumbramos existir bolha de cr??dito no Brasil. Temos, sim, um movimento saud??vel de crescimento do cr??dito que, com a introdu????o do cadastro positivo, tem tudo para se tornar mais um case   de sucesso perante a comunidade financeira internacional.


fonte: Jornal Di??rio do Com??rcio - MG/MG 06/10/2011