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23/05/2011 -
A n??o fala com B que n??o se entende com C

Imagine que as ideias para melhorar a mobilidade urbana na Grande Florian??polis sejam pe??as de um grande quebra-cabe??as. Leve em considera????o que h?? pelo menos tr??s projetistas: Uni??o, Estado e prefeituras. Agora, a pergunta: ser?? que as obras, caso realmente saiam do papel, v??o se encaixar? Os especialistas t??m motivos para acreditar que n??o.

O DC reuniu nove grandes ideias que entram e saem de discuss??o. Nem levou em considera????o obras menores, como a Beira-Mar Continental, na Capital, prevista para 2008, hoje sem prazo para ser inaugurada. De todas as ideias, apenas o Contorno Vi??rio da BR-101 tem projeto executivo, um passo antes da obra. Mas ele era previsto junto com a duplica????o da BR-101 Norte.

E ?? pelos prazos e pela falta de continuidade pol??tica que o quebra-cabe??as fica mais dif??cil de ser montado. Questionado sobre qual seria a melhor ideia para a liga????o Ilha-Continente, se uma ponte ou t??nel, o presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil de Santa Catarina (IAB), Edson Cattoni, voltou um ano no tempo para mostrar a falta de planejamento. Na ??poca, Luiz Henrique da Silveira, ent??o governador, anunciou o metr?? de superf??cie, enquanto o prefeito de Florian??polis, D??rio Berger, falava em t??nel submerso. Agora, Raimundo Colombo anunciou priorizar a quarta liga????o. N??o falou em metr?? de superf??cie, mas em ponte ou t??nel submerso.

??? Entra governo, sai governo, cada um tem uma bandeira para se promover, tanto no Estado quanto nos munic??pios. Ent??o, s??o feitos an??ncios, com prazos que n??o se cumprem. Tinha at?? um v??deo de um metr?? de superf??cie passando pela Herc??lio Luz ??? recorda Cattoni.

E o metr?? de superf??cie voltou ?? tona ap??s uma briga judicial em rela????o ?? licita????o lan??ada no governo Luiz Henrique. Para os especialistas, o debate est?? torto. O primeiro passo seria um estudo de Origem-Destino da regi??o metropolitana. S?? a Capital, S??o Jos??, Palho??a e Bigua??u contam com mais de 800 mil moradores segundo o Censo 2010. Com base nestes dados, as melhores solu????es seriam pensadas.

??? O que interessa n??o est?? sendo feito. Estamos na UTI e n??o temos diagn??stico. Estudar cada projeto separado ?? um desperd??cio de dinheiro p??blico ??? diz o professor de arquitetura da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e membro do Grupo de Estudos da Mobilidade Urbana Sustent??vel (Gmurb), Lino Peres.

Para o professor, a ponte entre a Beira-Mar Norte e a Continental ?? um exemplo da falta de estudos. O fluxo de ve??culos seria jogado na Beira-Mar Norte, que j?? tem problemas s??rios de congestionamento. A ideia da fonte de financiamento ??? a venda dos aterros para a iniciativa privada ??? parece equivocada, na vis??o de Peres.

A prioridade tamb??m teria que mudar. J?? est?? na hora, apontam os especialistas, de levar a s??rio o transporte de massa. Dizem que n??o d?? mais para ficar abrindo estradas para os carros, ainda mais em uma regi??o rodeada por morros e com um ecossistema fr??gil. Aos poucos come??a a aparecer nas discuss??es o Bus Rapid Transit (BRT), tecnologia que est?? sendo projetada para algumas cidades-sede da Copa 2014.

??? O BRT ?? um sistema que usa ??nibus com faixas exclusivas, esta????es que agilizam o embarque e desembarque e tecnologia informatizada. Na medida que ele se aproxima de um cruzamento, por exemplo, o sem??foro abre. E, acima de tudo, ?? mais barato ??? diz o professor do Departamento de Automa????o e Sistemas da UFSC e especialista em Sistemas Inteligentes de Transportes (ITS) Werner Kraus Junior .

Junto com o transporte de massa, deveria ser pensado um espa??o para os pedestres. Nos discursos, as medidas aparecem. Na pr??tica, a situa????o ?? outra. O elevado Rita Maria, que est?? sendo constru??do no Centro da cidade, acabou com uma faixa de seguran??a. Na SC-401, um outro elevado est?? em obras, uma das primeiras medidas foi destruir a passarela de pedestres.

Se hoje o pedestre, a pe??a mais fr??gil na mobilidade urbana, n??o ?? respeitado, como pensar em construir e montar um quebra-cabe??as gigante?

Fonte: Di??rio Catarinense