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30/11/2016 -
Mercado prev?? que Copom far?? novo corte, e Selic pode ir a 13,75% ao ano

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deve promover nesta quarta-feira (30) o segundo corte seguido na taxa básica de juros, de 14% para 13,75% ao ano. Essa é a expectativa da maior parte dos economistas consultados pelo BC na semana passada, em pesquisa realizada com mais de 100 instituições financeiras.

Apesar de ainda apostarem em nova redução da Selic nesta quarta, os economistas reduziram, nas últimas semanas, a previsão para o tamanho do corte: de 0,50 para 0,25 ponto percentual. O motivo foi a vitória de Donald Trump nas eleições dos EUA, que espalhou incertezas nos mecados, gerou alta do dólar e queda da bolsa nas economias emergentes.

Série de cortes

A estimativa dos economistas de bancos é de que o Copom, que se reúne a cada 45 dias, continuará a reduzir a Selic nos próximos meses, chegando a 10% ao ano em abril de 2018.

O aumento dos juros, ou sua manutenção em um patamar elevado, é o principal mecanismo usado pelo BC para frear a inflação, que tem mostrado resistência. O objetivo é encarecer o crédito e reduzir o consumo no país.

Porém, os juros altos prejudicam a atividade econômica e, consequentemente, inibem a geração de empregos. Quando o Banco Central julga que a inflação está compatível com as metas preestabelecidas, pode baixar os juros.

O Banco Central toma as decisões sobre a taxa de juros olhando para a frente e tendo como objetivo cumprir as metas de inflação previstas pelo sistema em vigor no país.

Para 2016, 2017 e 2018, a meta central é de inflação em 4,5%. Entretanto, o sistema prevê um piso e um teto, que é de inflação em 6,5%, em 2016, e em 6% em 2017 e 2018.

Isso significa que se a inflação deste ano, por exemplo, superar o alvo central de 4,5% mas ficar abaixo de 6,5%, o BC terá cumprido a meta. Isso, entretanto, não deve acontecer. O mercado estima um Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 6,72% para 2016.
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Cenário econômico

A vitória de Trump fez o dólar se valorizar na maioria dos países emergentes, incluindo o Brasil. Esse é um fator que pode pressionar a inflação no país, pois dólar mais alto encarece os produtos e insumos importados. Nos últimos dias, a moeda tem oscilado ao redor de R$ 3,40.

Entretanto, cresceu nas últimas semanas a percepção de que a economia brasileira vai demorar mais para se recuperar - fator que atua em sentido inverso, contribuindo para atenuar as pressões inflacionárias.

Para este ano, os analistas intensificaram suas previsões de queda do Produto Interno Bruto (PIB) - que está ao redor de 3,5% para este ano - e revisaram para baixo suas previsões de crescimento em 2017, que já estão abaixo de 1%. No ano passado, o PIB registrou um tombo de 3,8%, o maior em 25 anos.

Para o economista-chefe do banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves, o ambiente político se deteriorou fortemente nos últimos dias e a agenda para as últimas semanas do ano "não é nada favorável".

"Ademais, fica claro que a PEC do teto se deve em grande parte à estratégia de criar mais pressão sobre a reforma da Previdência", avaliou em comunicado. Ele observou que as expectativas para a economia pioraram de "maneira relevante, assim como a atividade corrente".

"Somando tudo, há argumentos para acelerar o ritmo de queda da Selic, assim como há argumentos para manter o andamento de 0,25 p.p. [ponto percentual]. Entendemos que a cautela vai levar o Copom a manter [o ritmo e baixar a Selic para 13,75% ao ano]", acrescentou Gonçalves.

Segundo economistas, a queda dos juros poderá ajudar na recuperação da economia brasileira – que atravessa a maior recessão de sua história – por meio do aumento da confiança dos investidores, do recuo dos juros bancários e poderá resultar em menos pressões de alta do dólar – contribuindo para impedir a volta da inflação no futuro. Além disso, também resultará em pagamento menor de juros pelo setor público.

Fonte: G1