Notícias Sinduscon
20/07/2015 -
Bom momento para investir em im??veis

O segmento imobiliário pode até trabalhar com números e dados precisos, mas também lida diretamente com a subjetividade da cada um: o sonho do próprio imóvel, seja ele residencial ou comercial. E como a economia é cíclica, e passa por momentos de crescimento intercalados por períodos de crise, com altas e quedas de juros, e consequente, um vai e vem nas possibilidades de crédito e financiamentos, as empresas da área da construção civil têm de se ajustar para gerar oportunidades àqueles que desejam concretizar seus sonhos.

Em maio, com a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), (divulgado pelo IBGE e considerado a inflação oficial do país), que registrou uma inflação de 0,74% (maior taxa para o mês desde 2008),  o mercado elevou, pela 9ª vez consecutiva, a expectativa de juros para 8,79% em 2015. Nos cinco primeiros meses de 2015 o índice acumulado foi de 5,34%, e de 8,47 nos doze últimos meses.

Para os economistas, números que deixam a luz amarela acesa. Para o governo, justificativa para adotar medidas para reduzir o acesso ao crédito, uma vez que a regra é simples: restrição de crédito = redução do consumo, o que pode contribuir para o controle dos preços.
A Caixa Econômica Federal (CEF), por exemplo, que sempre teve um papel forte no financiamento de imóveis no país, já anunciou dois aumentos em sua taxa de juros em 2015 (o primeiro em janeiro e o segundo em abril), e cada vez menos as prestações se encaixam nos orçamentos. É importante destacar que no Brasil, muitos imóveis são financiados por recursos da caderneta de poupança, que vem sofrendo a maior fuga de recursos de sua história, com R$ 11,43 bilhões no mês de março, conforme dados do Banco Central. Sem estes recursos, há uma diminuição na oferta dos financiamentos, dificultando a aquisição de imóveis.

Desde maio deste ano, a Caixa optou pela redução do limite do valor que aceita financiar na compra de imóveis usados. Se anteriormente, era exigida uma entrada de no mínimo 20% do valor do imóvel, desde maio, porém, os futuros proprietários precisam de, pelo menos, 50% do valor do imóvel para utilizar na entrada.

Para o segmento da construção civil, que depende diretamente da oferta de crédito, essa ciranda é extremamente prejudicial. De acordo com o presidente do Sinduscon – Grande Florianópolis, Helio Bairros, na crise, os consumidores precisam ter e demonstram muito mais cautela e precaução para usar dos recursos e da criatividade: “Quando estamos em crise, o coletivo cai. Há uma diminuição da produção e queda na renda das pessoas, o que diminui a prosperidade. Isso deve ser avaliado pelos empresários que tem responsabilidade com seu negócio”, frisa Bairros.

Isso significa que não é hora de comprar imóveis? Não exatamente. Se o crédito diminuiu, houve também retração nos lançamentos por parte das construtoras, e com imóveis em estoque e mercado estagnado, o poder de negociação do cliente é cada vez maior. “Os preços não estão caindo e muito menos crescendo: estão estáveis, e esse é um bom sinal para quem compra e motivo de oferecer vantagens para quem vende. O comprador está com mais força e quem vende, mais aberto a negociações”, explica Bairros. Ou seja: para quem vende, o momento está mais propício para trocar um ótimo negócio por vários bons, e gerar recursos necessários para cumprir com os compromissos. 

Para o investidor ou para o cliente que tem condições de comprar sem comprometer de forma perigosa o orçamento, o momento é mais do que propício. “Além disso, imóvel sempre foi e sempre será um bom negócio” completa Bairros. 
Isso significa que apesar das idas e vindas na economia, o sonho do imóvel próprio ainda existe, e a afirmação de que tijolo é moeda forte está mais firme do que nunca.

À espera da terceira edição do Minha Casa Minha Vida

Nos últimos anos, o Programa Minha Casa Minha Vida, gerido pela CEF, ampliou a oferta de imóveis para muitas parcelas da sociedade, principalmente aquelas de menor poder aquisitivo. 

Na opinião do presidente do Sinduscon, o programa foi um grande exemplo de sucesso a partir de 2009, responsável inclusive pelo estímulo ao segmento logo após a crise que atingiu o mercado imobiliário dos Estados Unidos em 2008, provocando desconfiança e cautela e instabilidade também no Brasil “Num primeiro momento, as pessoas não acreditavam no Minha Casa Minha Vida, mas o Sinduscon de imediato apoiou essa medida como forma de aquecer o segmento. Naquele momento o primeiro sinal positivo foi a absorção total da mão de obra ociosa. Além disso, os salários atingiram os níveis nunca vistos no setor. Em janeiro de 2010, o setor da construção civil já liderava o número de contratações com carteira assinada”, recorda Bairros. Ele acredita que o lançamento do Programa Minha Casa Minha Vida 3 – programado pelo governo federal para o segundo semestre – possa criar um novo momento, e motivar uma injeção de recursos na economia. “Da contratação da mão de obra à fabricação dos insumos para o setor, todos seriam beneficiados e essa crise poderia ser superada e alcançaríamos a real prosperidade”, finaliza.

Fonte: Revista O Empresário Julho/Agosto